domingo, 11 de outubro de 2009

Retratos da adolescência!



Como todo adolescente, também vivi meus "sonhos românticos", até hoje guardados na memória, na caixa das "doces lembranças".

Lembro de uma paixão quase platônica, que tive por volta dos 18 anos de idade. Tanto eu como a "amada" tínhamos quase a mesma idade, porém eu a achava "inatingível", embora fossemos amigos. Daí eu escrevia... O papel era a "veia" por onde escorria o "sangue dos sentimentos".

O engraçado da história é que às vezes ela chegava a ler alguns desses escritos e dizia querer conhecer aquela "musa inspiradora". Dessa sua "vontade", nasceu o poema "Mulher", que transcrevo abaixo:


Ao te conhecer te senti em mim.
Deu-se neste momento uma grande fusão...
Pensamentos, idéias, gostos...
Defeitos e qualidades.


Éramos como dois grandes espelhos
que ao serem colocados frente a frente,
absorvia-mos um ao outro,
e multiplicávamos nossos seres.


Nossos olhos estão vendados
pelas circunstâncias e situações.
Tu, te negas a ti mesma.
Eu me nego, renego e sofro calado.


Tu me perguntas quem és,
como se a ti mesma não conhecesses.
Bem mais que eu,
sabes quem és e o que significas para mim.


Desvenda teus olhos.
Abre tua alma,
e deixa-te conhecer
refletida em mim (como num espelho)


Te perde em nossa contemplação
Só nossa...
E vem comigo,
alma-gêmea de minh'alma.


Muitas outras poesias foram ainda escritas antes e depois dessa que acabei de mostrar, porém nossos caminhos foram, com o tempo, ficando distantes. Ambos mudamos de cidade, caminhos diferentes foram traçados. Quando me dei conta, os projetos que eu tinha em mente, se tornaram impraticáveis, mas não deixávamos perder a amizade. No momento em que percebi que aquela paixão estava arrefecendo, escrevi isso:


NOSSAS VIDAS SÃO LADOS
CONTRÁRIOS DA MESMA MEDALHA...


Nossos olhos já não mais se cruzam
Nossas vozes já não se afinam
Nossos sonhos são barcos furados
Nossos corpor são versos sem rima.


Ainda hoje ainda somos amigos, mas "amigos distantes", daqueles que trocam mensagens de "feliz aniversário", "Feliz Natal", apesar de, hoje, morarmos na mesma cidade. Temos projetos diferentes, temos ideais diferentes, mas nos respeitamos.

Hoje, cerca de 30 anos após, ainda guardo essas lembranças agradáveis daqueles tempos que não voltam mais.


Recife - PE