
Como todo adolescente, também vivi meus "sonhos românticos", até hoje guardados na memória, na caixa das "doces lembranças".
Lembro de uma paixão quase platônica, que tive por volta dos 18 anos de idade. Tanto eu como a "amada" tínhamos quase a mesma idade, porém eu a achava "inatingível", embora fossemos amigos. Daí eu escrevia... O papel era a "veia" por onde escorria o "sangue dos sentimentos".
O engraçado da história é que às vezes ela chegava a ler alguns desses escritos e dizia querer conhecer aquela "musa inspiradora". Dessa sua "vontade", nasceu o poema "Mulher", que transcrevo abaixo:
Ao te conhecer te senti em mim.
Deu-se neste momento uma grande fusão...
Pensamentos, idéias, gostos...
Defeitos e qualidades.
Éramos como dois grandes espelhos
Éramos como dois grandes espelhos
que ao serem colocados frente a frente,
absorvia-mos um ao outro,
e multiplicávamos nossos seres.
Nossos olhos estão vendados
Nossos olhos estão vendados
pelas circunstâncias e situações.
Tu, te negas a ti mesma.
Eu me nego, renego e sofro calado.
Tu me perguntas quem és,
Tu me perguntas quem és,
como se a ti mesma não conhecesses.
Bem mais que eu,
Bem mais que eu,
sabes quem és e o que significas para mim.
Desvenda teus olhos.
Desvenda teus olhos.
Abre tua alma,
e deixa-te conhecer
refletida em mim (como num espelho)
Te perde em nossa contemplação
refletida em mim (como num espelho)
Te perde em nossa contemplação
Só nossa...
E vem comigo,
alma-gêmea de minh'alma.
Muitas outras poesias foram ainda escritas antes e depois dessa que acabei de mostrar, porém nossos caminhos foram, com o tempo, ficando distantes. Ambos mudamos de cidade, caminhos diferentes foram traçados. Quando me dei conta, os projetos que eu tinha em mente, se tornaram impraticáveis, mas não deixávamos perder a amizade. No momento em que percebi que aquela paixão estava arrefecendo, escrevi isso:
NOSSAS VIDAS SÃO LADOS
CONTRÁRIOS DA MESMA MEDALHA...
CONTRÁRIOS DA MESMA MEDALHA...
Nossos olhos já não mais se cruzam
Nossas vozes já não se afinam
Nossos sonhos são barcos furados
Nossos corpor são versos sem rima.
Nossas vozes já não se afinam
Nossos sonhos são barcos furados
Nossos corpor são versos sem rima.
Ainda hoje ainda somos amigos, mas "amigos distantes", daqueles que trocam mensagens de "feliz aniversário", "Feliz Natal", apesar de, hoje, morarmos na mesma cidade. Temos projetos diferentes, temos ideais diferentes, mas nos respeitamos.
Hoje, cerca de 30 anos após, ainda guardo essas lembranças agradáveis daqueles tempos que não voltam mais.
Hoje, cerca de 30 anos após, ainda guardo essas lembranças agradáveis daqueles tempos que não voltam mais.
Recife - PE
7 comentários:
Agostinho,
Lindo partilhar esse momento importante de sua vida, com os seus leitores.
Gostei de ler.
Emocionante e sobretudo sublime.
Abraços,
Adir
Lindo, lindo lindo!
Feliz de quem tem um amor da adoelsc~encia para recordar. São lembranças que guardamos no mais recôndito do nosso ser. o primeiro amor quase nunca se concretiza, mas dura para sempre, justamente porque ficou na névoa do não real, jamais vimos como aquela pessoa seria, ao amadurecer.A gente guarda sempre o ser que era perfeito, aos nosso olhos tão jovens e inocentes. Tb tive um amor aos dezessete anos, mas jamais voltei a v~e-lo. morro de vontade de saber como ele envelheceu, queria muito saber como ele é hoje, se é que ainda está vivo. Até minha curiosidade de escritora amadora me faz pensar nisso: como seria o encontro entre dois seres maduros, quase velhos, dois seres que eram lindos e jovens, e se amaram? Seria quase uma pesquisa sociológica, ou psicológica, sei lá. Mas isso nao acontecerá jamais. Adorei sua linda história, e seus poemas estão lindos; aqui pra nós, que não ouçam os outros: nós, nordestinos,temos mesmo um pé na poesia, né??
Abração, my friend!
ola agostinho brigada pelo comentario se cuida!!,
Agostinho, um grande amor é pra sempre mesmo, meu amigo! Esse o tempo não apaga nunca... apenas o coloca sob uma poeira fina, que ao menor balanço, faz abrolhar tudo de novo... mas que o vento trata logo de fazer s'encantar de novo, no fundo do coração.
Parabéns pelo blog! abs
Que lindo! Ah, que pena que não vivi nessa época em que os homens realmente valorizavam as mulheres e não a palhaçada que tá hoje... mas a culpa disso tbm é das mulheres que se deixaram desvalorizar e vulgarizar tanto... É uma raridade encontrar um homem que faça uma poesia à amada... Tomara que um dia eu encontre um desses...
Beijo meu amigo, adorei o texto.
Peço perdão por não vir aqui esses tempos , mas o fascinio pelo Salada realmente me fez esquecer muitos outros blogs... rsrs!
Prometo vir aqui com maior frequencia.
Ah, e tem um selo pro Um conto, um canto.
Afinal, ele merece. =*
Fico pensando se nesse mundo de hoje, ainda sobrevivem garotos de 18 anos que vêem o outro e a si mesmo com esse olhar tão sensível. Garotos que escrevem poemas de amor, que amam calados. Espero, sinceramente, que sim. Prefiro acreditar que sempre há tempo pra delicadeza. Lindo blog.
Parabéns por ser um jovem tão romântico!! hehe
E como é lindo recordar nossas boas lembranças!! Grande beijo
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