sábado, 6 de março de 2010

Era uma vez meus 20 anos...



No dia em que completei 20 anos, escrevi algo para "marcar a data".

Naquela época, eu tinha a mania de tentar traduzir em poemas, os fatos relevantes da minha vida.

Ontem, uma amiga fez 20 anos. Daí lembrei desse escrito, o qual quero dividir com os que aqui acessam.

Ei-lo:




Ah que saudades que tenho
De meu tempo de menino.
Moleque de calças curtas
que brincava nas calçadas

Que tinha medo do "urso"
quando era carnaval.
E que morria de rir
Com o palhaço da perna-de-pau.


(- Hoje tem espetáculo? - Tem sim senhor!)

Menino-rei que sonhava
o que ser quando crescer:
aviador? Astronauta?
Quem sabe um grande escritor?


Que brincava na fogueira
nas noites de São João
E namorava as meninas
mesmo sem elas saberem.

Menino que até chorava
com medo dos Irmãos Metralhas.
Que tinha pesadelos com o bicho-papão
e via monstros na sombra da roupa pendurada.

Menino-homem que cresce.
Homem-menino que vive
ainda hoje dentro de mim
e não parece morrer.

Na inconsequente dureza
e na insistente certeza
que dentro do homem-grande
a criança ri e chora.




Escrito em 03 de novembro de 1981